10/12/07

Vem aí o Natal !

Foto da minha árvore de Natal ... As Borboletas.

Na última semana de Novembro, comecei a preparar-me para o Natal, como quem se atavia para dia de Festa. Se encontrava alguém na rua, ou mesmo pelo telefone, saía-me sempre a invariável pergunta : Sabes uma coisa ? E assim, conseguia que do outro lado saltasse aquele lado de cuscovelhice, habitual entre comadres vizinhos amigas e afins. Sabes... repetia eu ... Vem aí o Natal ! Sentia-me no papel dos assadores de castanhas á volta do carro, a atiçar o lume, a pôr as castanhas no fogareiro ... a apregoar.... Quentes e Boas, neste caso, mais concreto... Vem aí o Natal .. o que dava lugar a gargalhada espôntanea ... já ? Pois é... está quase... e eu ali, ao lado do fogareiro, á espera dos clientes, para lhes dizer, que eram de confiança, que vinham lá da terra, e rematava ao freguês, se queria dúzia ou dúzia e meia, que isto de Natais ou se começa logo no inicio, porque se não, quando se vai a ver... ele já lá vai... já passou a consoada os coscurões, as broinhas, os belhoses, o bolo rei, as passas e os pinhões, os 5 kilos a mais, as iluminações, as canções alusivas á época, o encontro da familia, que costuma meter anjos andores e nossas senhoras como nas procissões. Ah ... e as conversas, claro está, coitado do tio Chico, está a ficar velhote , ou , tu sabes que a Maria aquela a filha da tia Joaquina, se divorciou, e a coitada da Amélia viúva que teve que ir para o Luxemburgo procurar uma vida melhor , e o Manel que anda tristonho porque a Rosário afinal gostava era do filho da Laurinda. Ah .. e o Bacalhau e as batatas com grelos ou com couves, com azeite do bom claro está. E depois em poucos minutos desfazem-se os laços dos presentes, e depressa acaba aquele ar festivo das pessoas desejosas de descansarem, depois de uma azáfama cruel. Era hora então de pôr as castanhas no cartuchinho de papel, como os presentes, de me despedir, e ir vender o meu Natal antecipado para outro lado.
Eu acho muita graça ao Natal, não pelas razões óbvias, mas porque parece que a maioria das pessoas entra em transe, acabam-se logo os temas que afligem as pessoas, que a gasolina está cara e já nem se pode passear como dantes, a falta de emprego, o dinheiro que não dá para nada, que os nosso País não evolui como os restantes Países da Europa, e a Crise ... Oh mulher ... a Crise , e entra em grande a Onda da solidariedade, dos jantares dos pobrezinhos, aos jantares de confraternização, como se durante o ano todo os pobrezinhos não tivessem o direito de comer, como se as pessoas, não se vissem todo o ano, e depois é a cereja em cima do bolo rei , tem que se aturar o Ministro, o Patrão, o Chefe de Secção e por aí adiante, e ainda temos que levar com esta cena toda, em patéticos jantares de confraternização. Ou acham que as pessoas vão de livre vontade ? Elas vão... lá isso vão ... mas a vontade acho que é pouca, pelas conversas de café que vou ouvindo aqui e acolá. Uma coisa que me intriga de sobre maneira no Natal, é a seguinte questão, o Natal é uma Festa do calendário cristão ... e então os outros, os que não são , comemoram o quê ? Tenho ouvido dizer que é a familia, e sorrio entre dentes quando nas lojas chinesas, as donas de casa, logo pela manhã desejam Bom Natal aos senhores e senhoras de olhos em bico.
Aqui o Natal, é uma palavra, é de calendário, e conta a minha mãe que o meu Pai, quando eu tinha um ano de idade, e eu não percebia nada de nada, fez a árvore de Natal mais bonita para mim, e os meus olhos brilharam, e as minhas mãozitas quiseram brincar com os enfeites, e é por essa razão que eu ainda hoje acredito no meu Pai Natal.

3 comentários:

MEColares disse...

eu também tenho um pai natal - e que ninguém se atreva a dizer-me que não existe -, por isso gostei de encontrar por aqui este bocadinho de natal cheio de "ironias e cansaços" e, contudo, um olhar para a frente que faz tanta falta.

Bandida disse...

olá bom dia!!!

que surpresa o comentário lá no B.!! :)))


tb eu gosto de ti ... do natal é que... nem tanto...

beijo

B.

Ana Paula disse...

Olá! :):)
Muito obrigada pela visita!

Gostei do teu texto crítico acerca do Natal. Concordo com a conclusão: o Natal é acima de tudo uma grande e boa fantasia! Não podemos viver sem elas e, de repente, esta pode ser uma fantasia verdadeira, a valer. O Natal pode ser real!
Beijinhos!

P.S. - Bonita, a tua árvore de Natal!